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“Bife” dramático para Boleresca (em 01 ato)
“Às vezes me pego pensando na solidão. E isso sempre me remete ao mar e aso rochedos que preenchem esse mar. Pois além da água e dos seres que habitam esse mar, há os rochedos. E a solidão que preenche os rochedos é algo lamentável. Primeiro porque quando ouvimos a palavra “rochedos” não nos damos conta do erro que existe aí. Um erro de número: não há senão um único rochedo marinho em todo o mundo! Sei que temos a impressão de serem vários os “rochedos”, mas, na verdade, é apenas um, que se liga a outro e a outro e a outro e a outro... Formando assim um único e solitário rochedo, marinho. Um que sofre a corrosão da água salobra, um que acumula detritos orgânicos, fitoplâncton, zooplâncton. Um rochedo que vai se deteriorando irascível, incólume, imóvel. Vai aceitando, sem reclamar, a ação do tempo e das coisas que o tempo traz. E o tempo traz muitas coisas, umas vivas, outras mortas. E o rochedo lá, envolto pelo mar, aceitando tudo, envolto pelo tempo e sofrendo seu pior efeito que é a solidão. O rochedo marinho, que já foi montanha verdejante. Que já foi toca de ursos e ninho de aves. Que já foi berço de rios e base de árvores. Esse rochedo está só. Ele que num outro tempo, numa outra era, já foi visto por inteiro, presente, biota. Ele que já se sentiu afagado pelo calor e pelo frio e pela chuva e pela neve. Que já foi açoitado por relâmpagos e secas. Que já acolheu histórias. Agora paira invisível sob as águas. Só. E só, padece, sem ter pra quem recorrer ou pedir companhia. O rochedo marinho sempre me é uma referência de solidão, e de lágrimas.
(...)
Penso que, ultimamente, tenho me assemelhado muito a um rochedo, marinho."
Escrito por Screamer às 09h09
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Boleresca (3)
Sim, ela estava presa! Presa a um amor, o que era o pior. Pois nunca havia estado assim, amando. Sentia-se presa, via-se presa, pensava-se presa. E as grades, obviamente, eram imaginárias.
Tinha pena de si própria, porque era realmente deplorável a maneira como definhava. Olhava-se no espelho e via uma mulher velha e amarga que não conseguia mais sair do lugar, nem se desenvolver na vida. E então, pra passar o tempo nesse cárcere cruel, a auto-compaixão acabou por se tornar um ótimo exercício. Oh, como sofro! (Ora sofrimento chique, ora um dramalhão sem tamanho)
Estava presa! Num cubículo apertado e opressivo dentro da imensidão que era sua vida. Imensidão de homens e de falsos amores e de prazer e de luxúria e de aventuras e experiências indescritíveis e de liberdade, principalmente. Estava presa num cubículo de sua vida. Num cubículo claustrofóbico. Uma jaula! Era o que era! Uma jaula (cênica) para guardar um animal. E um animal era a melhor auto-definição que ela encontrava. Um delicado e maltratado animal que era sistematicamente exposto, dia após dia, aos espectadores num show bizarro e grosseiro. É isso! Ela se sentia a verdadeira Monga!!! Ela era a Monga!!! A grotesca e assustadora Monga... Que após o show, tira a fantasia de monstro e continua sendo a débil e assustada macaca-mulher. Ela era uma Monga e isso a deixava triste e sem controle da situação.
Escrito por Screamer às 15h10
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Evoé!!!
Depois de 10 anos de fundação (que se competam esse ano) a Cia do Escândalo finalmente tem uma sede própria. É o mínimo para uma companhia de teatro, eu sei. Mas também sei que são poucas as companhias que, no Brasil, têm esse privilégio.
Obviamente depois dou mais detalhes, mas já posso adiantar que a inauguração do espaço acontecerá em setembro próximo ("quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos..."), juntamente com a chegada da primavera pra anunciar uma colheita generosa para anos de plantio disciplinado e perseverante. Todos estão convidados!!! Para a inauguração foi convidada uma "Deusa" do teatro que já confirmou presença. Afinal, além de inaugurar precisamos pedir a bênção dos deuses do teatro.
Além disso, para os próximos meses já estão sendo programadas atividades incessantes!!! (rsss) É uma ansiedade de 10 anos!! Já pensou?
De mais a mais, este talvez seja o primeiro "espaço" dedicado exclusivamente ao teatro em Mogi das Cruzes.
Logo mais eu divulgo mais informações.
Evoé!!!
Escrito por Screamer às 10h07
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Fragmentos de INTOLERÂNCIA (idéias teatrais em tempos de violência urbana)
Eu já comentei que o sangue espirrou na minha camisa branca?
Eu já comentei que eu estava com uma camisa branca?
Eu já comentei que eu senti uma puta dor de cabeça exatamente na hora em que apertei o gatilho? Eu já comentei que eu morri junto com aquele homem que eu matei? Não? (...) Pois é, eu morri ali, também. Morri ali. Eram dois cadáveres, e não um.
Escrito por Screamer às 09h47
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