Para Intolerância (estudos para um espetáculo)
Eu sempre detestei ter que percorrer aquela distância entre o trabalho e minha casa. Detestava tanto que acabei curtindo. Porque eu andava muito rápido, embora meu carro seja de mil cilindradas, e a gás... Quando eu já sabia que o trecho do trânsito pesado já tinha passado, eu tirava da rádio de notícias (- Que se foda a mina no helicóptero!!!) e botava na rádio de rock. E aí eu curtia... PARA CARALHO!!! Ia andando a 100, 110 Km por hora, cortando os "pé de breque" e me sentindo na frente, me sentindo bem, com o vidro aberto, o vento no rosto...
Só ficava puto, muito puto, quando passava um motoqueiro e me impedia de mudar de faixa. Me impedia de ultrapassar o cara lento da frente e aí o trânsito dava pra parar... E aquela porra daquela buzina das motos???!!! Desnecessário! Eu sempre tive vontade de matar um cara desses. Na hora, não sei o que me dava, mas eu me transformava mesmo. Ficava imaginando se um deles caísse: como eu me desculparia dizendo que não tinha culpa, pois eu estava em velocidade e ele caiu embaixo do meu pneu!
Filhos da Puta!!! Acham que são donos da rua! E o meu direito??! De andar na minha faixa??!! E o meu direito de ir e vir?!! Filhos da Puta!! Igual aos caixas de supermercado!!! Igual aos atendentes de call center!!! Tudo da mesma laia, tudo invadindo o meu direito! Eu pago imposto, porra! Eu pago uma fortuna de IR!!! Uma fortuna!!! E o que um filho da puta de um motoqueiro desses paga???!!! Aposto que votou pra reeleger o barbudo!!!
(...)
Eu dei um tiro!
Devia ter dado mais!!! E mais tantos outros nos tantos outros "amigos" de duas rodas que pararam pra ajudar!
Eu pago imposto!!! Porra!
Escrito por Screamer às 22h21
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