Meu Escândalo Pessoal


                                         

                            O Monstro da Minha Barriga

                                                                      Texto escrito para o espetáculo teatral “INTOLERÂNCIA”

 

A gente vai dia-a-dia criando um monstro aqui na barriga que vai engolindo nossa energia e vai crescendo cada vez mais. Esse monstro, aqui da minha barriga, hoje à tarde, saltou pra fora e engoliu a alma de um motoboy. Eu vi ele sair, imenso, de meu estômago, apanhar o revólver, descarregar o tambor no corpo do rapaz e depois engolir a alma.

Eu o venho alimentando há tempos, mas não sabia por que.

A cada frustração, a cada decepção, a cada impossibilidade eu o sentia maior: o monstro aqui da minha barriga.

Acho que ele voltou pra cá de novo, temporariamente manso. Acalmado pelo ocorrido hoje à tarde.

(...)

Outro dia ele quis entrar no fio do telefone e pegar a moça do telemarketing que me atendia. E também quis saltar no ônibus cujo motorista me deu uma fechada semana passada. E quis arrancar a cabeça do meu chefe na época da minha avaliação de desempenho esse ano.

(...)

Esse monstro dói às vezes. Outras eu nem o sinto. Só sei que ele vai crescendo aqui dentro (apontando para a barriga). Eu achei que eu o poderia digeri-lo. Sabe como é, ele está na minha barriga... Mas eu o descobri um tanto indigesto. Às vezes o regurgito um pouco (regurgita e começa a mastigar) e volto a mastigá-lo. Mas esse monstro é duro e meio amargo: difícil mesmo de engolir de volta.

Então hoje à tarde ele saiu da minha barriga e fez uma desgraça.

Esse monstro!

 

(Ilustração "The Great Beast - H.R. Giger)



Escrito por Screamer às 13h36
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Um mundo feito de nãos!

 

Havia um sonho. Algo tinha que acontecer em determinado momento. Algo que se não acontecesse em determinado momento não possibilitaria que eu conseguisse uma coisa que eu queria muito! Eu esperei, planejei, direcionei e fiz de tudo para que acontecesse. Eu queria muito aquilo.

Quando foi chegando o dia, fui percebendo os obstáculos. Comecei a me mexer, me articular, falei com algumas pessoas-chave, falei com líderes e com liderados. Falei até com quem realmente decidia. Acabei por me humilhar. Tudo isso na ânsia, na fissura de conseguir o que eu queria. Ah, e como eu queria... Mas só recebi “nãos”. "Não" de um, "não" de outro, "não" de todos com quem eu falei. E olha que era uma coisa simples, fácil mesmo de conseguir.

E começou a bater o desespero. A humilhação que eu tinha feito de tudo para que se restringisse a ambientes privados, eu já não tinha pudor em revelá-la. Achei mesmo que talvez fosse uma boa estratégia para conseguir meu intento: tornar público meu desejo inconfessável de possuir o que eu queria. E fiz meu escândalo calculado. Na frente de todos. E depois o escândalo deixou de ser calculado e passou a ser genuíno, inclusive pra mim. Despetalei-me em lágrimas e em gestos nada teatrais.

E nada.

Sobrei só no ambiente. Acabado, destruído, desencantado. E sem o que eu mais queria.

Não consegui, afinal, fazer acontecer o que tinha que acontecer para que eu conseguisse ter o que eu queria.

Fiquei sem.

Emburrei-me com o mundo.

Agora espero, me refazendo, o efeito da decepção passar.

Mas espero, desesperançado.

Porque um sonho não se acha na esquina.



Escrito por Screamer às 12h09
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Tentando Entender Os Cabras

Mundo Livre S/A

Para cada sem-vergonha existe uma santinha
Para cada dominado existe uma putinha

Toda gata deveria virar freira ou senão usar corrente, coleira.
Se divertem nos torturando e nos fazendo pensar besteira
Deve ser algo nas cadeiras dos barbeiros
Ou quem sabe naquelas oficinas
Deve ser algo no carro

Para cada sem-vergonha existe uma santinha
Para cada dominado existe uma putinha


Escrito por Screamer às 11h39
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Tentando Entender As Mulheres

Mundo Livre S/A

Todo homem deveria ter um carro
Ou senão nem precisava ter testículos

Pra que serve um testículo sem carro?
Sem o carro o testículo é um saco

Deve ser algo nas revistas que elas lêem
Ou quem sabe naqueles cosméticos
Pode ser algo no rádio...

(Mulher)
Para cada satisfeita
Existe um homem morto


Escrito por Screamer às 11h38
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